Cultivar a vida na força da terra

Autores

  • Alessandra Regina dos Santos

Palavras-chave:

cosmopolítica, práticas de conhecimento, quilombolas, rio Ribeira de Iguape

Resumo

Este artigo examina como agricultoras e agricultores quilombolas de Pedro Cubas e Sapatu, em sua relação singular com a terra, preservam e recriam a biodiversidade por meio da capacidade de cultivar, nutrir, compartilhar e engajar-se – de modo corpóreo e afetivo – no manejo de variedades crioulas e não crioulas. Discuto, ainda, as experiências de colaboração entre práticas de conhecimento científicas e quilombolas no Médio Vale do Ribeira, evidenciando a relevância das alianças entre técnicos e conhecedores quilombolas, bem como os desafios pragmáticos e epistemológicos que emergem desse encontro. Essas alianças podem ser interpretadas à luz da noção de ecologia das práticas de Isabelle Stengers. Em um cenário global marcado pela perda de biodiversidade e pelas mudanças climáticas, tais conexões e compromissos experimentais revelam forças criativas para agir, pensar e imaginar futuros comuns. Argumento que os modos de existência quilombolas – o modo como experimentam a vida e o relacionamento que estabelecem com os entes com os quais coabitam esses lugares – contrastam profundamente com a racionalidade estatal que orienta mapeamentos, confecciona licenças e impõe normas de preservação. Procuro demonstrar, por
fim, que a luta quilombola pelas roças não se limita à garantia da produção ou da sobrevivência material: expressa, sobretudo, a afirmação de um coletivo e de um modo de vida que se entrelaçam com a terra, tornando-se indissociáveis dela

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Publicado

14-05-2026

Como Citar

dos Santos, A. R. (2026). Cultivar a vida na força da terra. Revista Paisagens Econômicas, 2(1). Recuperado de https://paisagenseconomicas.ufscar.br/index.php/revistapaisagenseconomicas/article/view/11

Edição

Seção

Artigos